Bolo de coco zero lactose
Escrevo essas linhas sem quê nem pra quê, enquanto torço para que o bolo de coco cresça no forno e tenha gosto bom. 2026 tem poucos dias, mas já se anunciou com novos hábitos, fazer bolo é um deles. Já fiz um de cenoura, que apesar de ficar do jeito que gosto — batumado — fez pouco sucesso com minha cônjuge. Torço para que o de agora fique mais fofinho por ela, mas um lado meu continua torcendo para que ele se aperte no fundo da forma.
Entendi nos últimos anos que gosto de comida molhada, que tenha molho, caldo. Entendi também, por recomendação médica, que a lactose realmente me faz mal. Eu estava sobrevivendo, há um par de anos, a base de lacday e do sonho do fim da intolerância. Mas a regra agora é muito simples e direta. Não coma nada que tenha queijo, manteiga, leite, nem se for zero lactose.
Outro dia minha mãe comentou o quanto devia ser difícil ser intolerante à lactose enquanto comia um pedaço de queijo em frente a um círculo imenso de queijo minas. Deu raiva, mas foi engraçado.
De acordo com os cálculos da Alexa, faltam 16 minutos no timer. O tempo que estabeleci para terminar de escrever esse texto.
O parágrafo acima foi uma distração, uma tentativa de pararmos de falar das minhas inflamações para buscarmos outro tópico nas palavras que passeiam na minha cabeça.
Outro hábito tem sido a leitura. Comecei o ano relendo o Brincadeira Sem Futuro, do Ricardo Terto, e o Retorno ao Ventre, do Junior Bellé. Acho que fui buscar nos livros dos amigos a saudade que tenho deles. E posso dizer que são duas obras altamente recomendáveis, agradáveis e instigantes, assim como são Terto e Bellé.
Agora estou às voltas com Oração Para Desaparecer, da Socorro Acioli, e em dúvida se acelero a leitura para tentar encontrar algum fio no labirinto da memória da Aparecida ou se atraso a passada para saborear o livro por mais tempo.
O bolo de coco — com leite e coco e coco ralado, untado no óleo de coco — está cheirando. Para não deixar nenhuma dúvida de que é um bolo de coco, pensei em salpicar um pouco de coco ralado por cima ainda.
Segundo a Alexa, faltam seis minutos restantes no timer de 40 minutos. O cheiro do bolo começa a ganhar a casa enquanto o sol se vai. Aqui em Salvador amanhece e anoitece cedo e a cidade te convida a começar o dia antes. Há quem diga até que poderia ser outro fuso, outra hora, outro tempo.
Às vezes não dá tempo de fazer bolo, às vezes não dá tempo de ler. Mas a gente vai, devagarinho, tentando.
Sei que já comecei o ano com outro texto, mas ficam aqui meus votos para que você consiga ler mais, assistir mais filmes e comer bolos de cenoura, coco, chocolate, fubá, com ou sem lactose. Batumado ou fofinho. Do jeito que você quiser.
Alexa gritou aos 40 minutos do timer, mas não poderei dizer como ficou, porque tem que deixar esfriar.



