Para Bellé
Poeta amigo
ando com a escrita cansada,
perdida de rimas e sonhos.
Tô no automático,
no lide,
no time
com o deadline apertando os cascos.
Poeta, redação faz mal à poesia
São antagonistas.
Uma leva a pressa na alma,
a outra se faz no ócio,
no amor, às vezes no ódio.
Sinto minha caneta sem sal,
sem inspiração para tecer linhas,
sem tempo para os pormenores.
A vida tá
dureza,
contas,
cargos,
trampos,
projetinhos paralelos.
Amigo, não dá para escrever como eu queria,
gastar tinta,
tutano
e buscar no João Antônio ou no do Rio a inspiração.
Minha caneta tá ofegante,
mal consegue subir três lances de escada,
sai torta,
sinuosa, esbarrando nos clichês.
.
.
.
Se o tempo é o refúgio do poeta,
a falta dele é seu suicídio.
Poesia escrita em 2017, período em que eu atuava diariamente em uma redação de hard news cobrindo cidades, tretas, violência policial e obviamente tinha menos tempo para as subjetividades da vida.
Desde que comecei a escrever poesia, das quais a maioria passa longe de uma publicação, converso com o Jr. Bellé, esse sim um grande poeta e amigo, em versos.
Espero que tenham gostado. Logo logo tô de volta.



