Su-fo-co
Há quem diga que é no sufoco que se evolui.
Permita-me discordar,
mas se quiser acreditar em papo de coach, boa sorte.
O sol nasce todo dia,
mas é no perrengue que ele arde,
queima,
fere,
mata.
No sufoco você não respira,
apenas não se afoga por um fiapo.
Não se quebra em cacos por um milésimo de sorte,
de fé,
chame do que bem entender.
No sufoco seu corpo treme,
escorrega,
rola,
despenca escada a baixo.
Frágil,
roxo,
com dor.
É no momento oco entre um sorriso e outro que você engrossa a casca,
gasta a sola,
se refaz.
Mas não respira.
Você segura o ar,
corre,
corre,
corre,
até achar um lugar seguro,
até suas pernas cansarem,
Você, desavisado que me lê,
só vai respirar quando estiver confortável.
Pensando no futuro sem ter que olhar para os hematomas de presente,
quando a flecha atirada acertar o alvo,
quando seu sonho estiver salvo das mazelas da rotina,
do rolo compressor da vida.
Você só vai respirar mesmo quando o saldo for positivo,
o garçom for teu amigo
e a cerveja estiver gelada.
No sufoco é Glacial quente se der tempo.
Tentar construir essa ideia meritocrata a partir da dor é útil para quem está na sombra,
para quem não apanha.
Se você tem o chicote na mão, não queira falar sobre a dor que ele causa.
Há quem diga que é no sufoco que se evolui.
Há muita gente mentindo por aí.
Poesia escrita no dia 16 de fevereiro de 2023 às 3:16.




a impressão que eu tenho é que o sufoco só ensina a gente a viver desse jeito, no sufoco, que é uma coisa que nunca é bom de esquecer porque, do jeito que as coisas foram desenhadas, a gente nunca sabe se volta, mas ele, o sufoco, tá sempre rondando nossa gaiola