Tempo mal passado
Num lugar esquecido por Deus,
onde o tempo enferrujou a memória.
As tábuas dos barracos envergaram,
os cachorros só ladram
e o tempo passou até para o tempo.
Lusco fusco,
casas escuras
habitadas por homens solitários,
co-habitadas por fantasmas do passado
e outros futuristas.
Mas o que se discute senão o presente?
A gente é feito do nada
em barracos em que a luz luta para chegar
e queremos estar perto do sol,
brilhar,
star.
Não nessa rua,
não neste lugar,
não no quartinho escuro
onde os sonhos esbarram nas telhas
e ficam.
Quer voar, passarinho?
Voe,
mas saiba que este é o seu ninho.
Ele fede,
ele é feio
e não sairá daqui
deste lugar esquecido por Deus,
povoado por baratas,
homens que erraram
e por um tempo passado.
Mal passado.
Poesia escrita no dia 6 de maio de 2018, finalizada às 2h58.



